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O Legado do Tri: O Que Aconteceu com os Craques da Seleção de 1970?

O Legado do Tri: O Que Aconteceu com os Craques da Seleção de 1970?

Cinquenta e seis anos se passaram desde aquele momento mágico no México, quando o Brasil conquistou o mundo e consolidou sua hegemonia no futebol com o tricampeonato. A seleção de 1970 não foi apenas um time; foi um fenômeno cultural, uma constelação de estrelas que, sob o comando de Mário Jorge Lobo Zagalo, transformou o esporte em arte pura. Ao olharmos para trás, para aquele elenco, nos deparamos com nomes que definiram gerações e que, até hoje, são reverenciados como semideuses dos gramados. Mas, afinal, por onde andam esses gigantes? Qual foi o destino daqueles homens que, em 1970, carregaram o peso e a glória de uma nação inteira?

A Liderança e a Técnica Dentro e Fora de Campo

Não podemos começar essa retrospectiva sem falar do eterno capitão, Carlos Alberto Torres. Aos 25 anos, “Capita” não era apenas o lateral-direito; era a extensão do treinador em campo, um líder nato que sabia equilibrar como ninguém as obrigações defensivas com a maestria no apoio ao ataque. Sua liderança foi o fio condutor daquele grupo. Infelizmente, o Brasil se despediu do Capita em 2016, aos 72 anos, vítima de um infarto, mas seu legado de garra e classe permanece imaculado.

Ao seu lado na memória afetiva do torcedor, temos nomes como Roberto Rivelino, a “Patada Atômica”. Com seu chute potente de canhota e um drible desconcertante, Rivelino foi essencial na campanha. Aposentado dos campos desde 1981, hoje, aos 80 anos, ele se mantém conectado ao futebol como comentarista, uma voz autorizada para analisar o esporte que ajudou a transformar em um espetáculo global.

E o que dizer de Clodoaldo? O volante que, com apenas 20 anos, mostrou uma personalidade avassaladora. Ao substituir Zito, ele não apenas cumpriu o papel, mas se tornou uma peça-chave no equilíbrio tático de Zagalo. Após uma carreira brilhante, ele seguiu um caminho longe dos gramados, atuando no setor imobiliário em Santos, onde reside aos 76 anos.

O Rei e os Guardiões da Meta

Pelé, o maior de todos os tempos, dispensa apresentações. Com 29 anos, o craque disputou sua última Copa em 1970, marcando gols decisivos e liderando o Brasil ao topo do mundo pela terceira vez — um feito que nenhum outro jogador conseguiu repetir. O mundo perdeu Pelé em dezembro de 2022, aos 82 anos, mas a imagem do Rei erguendo a taça é eterna.

No gol, a história foi marcada por grandes personalidades. Félix, o titular, enfrentou críticas, mas sua elasticidade e sangue frio foram fundamentais na campanha. Após se aposentar em 1976, ele viveu até 2012, quando faleceu aos 74 anos. Seus reservas, Ado e Emerson Leão, também seguiram caminhos distintos. Leão, que se tornou um treinador renomado e uma figura polêmica por suas críticas aos técnicos estrangeiros, continua sendo uma voz ativa no cenário esportivo brasileiro aos 76 anos.

O Drama dos Bastidores e os Zagueiros

É impossível falar de 1970 sem mencionar João Saldanha, o “João sem medo”. O técnico que montou a base daquele time foi demitido meses antes do Mundial por não aceitar interferências políticas. Sua vida foi um constante embate entre o esporte, o jornalismo e o ativismo político. Saldanha nos deixou em 1990, aos 73 anos, mas sua influência tática sobre aquele esquadrão é inegável.

Na defesa, nomes como Brito, o zagueiro mais bem preparado fisicamente da competição, e Piazza, o versátil volante improvisado como zagueiro, foram pilares de solidez. Brito nos deixou recentemente, em junho de 2026, aos 86 anos, em um momento que marca a despedida de um dos grandes defensores da história. Já Piazza, aos 83 anos, segue contribuindo para o esporte ao presidir a Federação das Associações de Atletas Profissionais.

Estrelas que Brilharam e Histórias de Superação

O ataque brasileiro de 1970 era um convite ao espetáculo. Jairzinho, o “Furacão”, alcançou um feito que parece impossível: marcou gols em todos os seis jogos daquela Copa. Aos 81 anos, ele continua trabalhando com o futebol, seja como empresário ou treinador de veteranos. Ao seu lado, Tostão, o craque cerebral, que teve uma carreira interrompida precocemente por um problema de visão, transformou sua inteligência em campo em uma brilhante carreira como colunista esportivo. Aos 79 anos, Tostão continua sendo uma referência intelectual no jornalismo esportivo brasileiro.

Não podemos esquecer de nomes como Paulo César Caju, o 12º jogador, que viveu o auge da técnica e enfrentou as duras batalhas da vida pessoal com a dependência química. Sua história de superação e reerguimento, aos 76 anos, é um testemunho de resiliência. Enquanto isso, figuras como Dadá Maravilha continuam sendo lendas vivas, mantendo o bom humor e as frases icônicas que fazem parte do folclore do nosso futebol, provando que a grandeza de um jogador vai muito além dos números.

Zagalo: O Velho Lobo

Por fim, o comando. Zagalo, o “Velho Lobo”, foi a alma daquele time. Tendo sido campeão como jogador em 58 e 62, ele aceitou o desafio de treinar a equipe às pressas e entregou o tri com maestria. Zagalo dedicou sua vida à seleção brasileira, sendo um dos poucos a vencer uma Copa como técnico. Ele nos deixou em 2024, aos 92 anos, mas sua aura de vencedor permanece impregnada na camisa canarinho.

Ao revisitarmos as histórias desses 20 jogadores e da comissão técnica, percebemos que o tri de 1970 não foi apenas sobre futebol. Foi sobre uma geração de homens que, cada um ao seu modo, deixou um pedaço de si na história do Brasil. Alguns se foram cedo, outros continuam entre nós compartilhando memórias inestimáveis, mas todos permanecem imortais na memória de quem teve o privilégio de ver, mesmo que apenas por meio de arquivos e relatos, o que significa a verdadeira excelência esportiva. O tempo pode passar, mas a mística daquele esquadrão é, e sempre será, inesquecível. Eles foram os arquitetos do sonho brasileiro e, através de cada memória, continuam a nos inspirar.

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